History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
History
History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Da horrenda gruta e entrada defendiaõ
Agudas folhas da arvore do Averno,
E enlaçadas raizes, que se uniaõ,
Mais que de Gordio no embaraço eterno:
Penhascos desde a terra ao Ceo sobiaõ
Lubricos os fez tanto o frio inverno,
Que Henrique vio, subindo resolutos,
Precipitarse os mais velozes brutos.
O mar, e a terra em horrida disputa
Gritavaõ com clamores desmedidos;
Que naõ entrassem na funesta gruta
Os que assim o intentavaõ presumidos:
A constancia mais forte, e resoluta,
De ondas, e rochas tragicos bramidos,
Temia vendo unirse em dura guerra
Contra hum sò coraçaõ o Mar, e a Terra.
[344]
Aves, penhascos, feras, troncos, ramas,
O Heroe venceo, e os mesmos elementos,
_Pois fez o coraçaõ com vivas chamas
Secar as ondas, e acender os ventos._
Tu, diz Henrique, ó Genio, que me inflamas,
De sacrilegos livra os meus intentos;
Deixarey hum perigo, que se encobre,
Venerando ao sagrado hum medo nobre.
[345]
Exaltando o valor, e a fermosura
Em dous tronos os Principes sentados,
Na sala da mais rara arquitetura
Os Generaes esperaõ convocados:
A ouvir da gruta a incognita aventura
Alegres se apressaraõ, e adornados
_De plumas, que elevando aos Ceos as glorias,
Escreveraõ sem letras as victorias._
[346]
No Porto as mesmas pedras das muralhas
Pareciaõ sensiveis aos clamores,
_E quasi descobrirão as medalhas_,
_Que enterraraõ os claros fundadores_:
Os povos ja taõ destros nas batalhas,
Que igualaõ os Soldados vencedores,
Ao pronto susto de pezar taõ alto
Se rendem à entrepreza deste assalto.
[347] For example, in the first canto where Henry is compared to an
eagle:--
Como no campo azul aves vorazes
De sangue, e pennas em diluvio vago,
Com o odio nativo contumazes
A terra inundaõ no funesto estrago,
Mas vendo do Aguia os voos efficazes,
Fogem do seu valor regio, e presago:
Assim vendo de Henrique o braço forte,
Fogem os Mouros da infalivel morte.
[348] Thus, in the following stanza, where Henry, whose astonishment
is to be described, is first compared to a frozen stream; then he is
himself called a stream rich in virtues, and finally he is denominated
a statue of fire and snow.
Rio, que corre em rapido desvelo
Parando ao forte impulso do Austro frio
Naõ muda o vago argente em duro gelo,
Que só rompe a prisaõ no ardente estio:
Como _Henrique_, que em nobre paralelo
_He de virtudes caudeloso rio,_
A hum perigo, a que heroico naõ se atreve,
_Estatua ali se vio de fogo, e neve._
[349] Lest it should appear that in this collection of examples justice
had not been rendered to Ericeyra, three more stanzas, from the last
canto of his poem, are here transcribed. The following passage is from
the description of the last combat between Henry and Ali, his Moorish
enemy.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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