History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Dizem dos nos sos passados
Que os mais naõ sabiam ler,
Eram bons, eram ousados.
Eu nam gabo o nam saber
Como alguns ás graças dados.
Gabo muito os seus custumes
Doeme se oje nam sam tais.
_Mas das letras, ou perfumes_
_De quais veo o dano mais?_
_Destes mimos Indianos_
_Ey gram medo_ a Portugal,
Que venhaõ a fazerlhe os danos.
Que Capua fez a Anibal
Vencedor de tantos annos.
A tempestade espantosa
De Trebia de Trasimeno,
De Canas, Capua viçosa
Venceo em tempo piqueno.
[73] The following are the two first stanzas of the _Cançaõ à Nossa
Senhora_.
Virgem fermosa, que achastes a graça
Perdida antes por Eva, onde nam chega
O fraco entendimento chegue a Fé.
Coytada desta nossa vista cega
Que anda apalpando polla nevoa baça,
E busea o que, ante si tendo, nam vé.
Sem saber atinar, como, ou porque,
Entrey pollos perigos
Rodeado de imigos.
Por piedade a vós venho, et por mercé,
Vós que nos destes claro a tanto escuro,
Remedio a tanto mingoa
Me dareis lingua, et coraçaõ seguro.
Virgem toda sem magoa, inteira, et pura,
Sem sombra, nem d’aquella culpa herdada,
Por todos nos, té o fim desdo começo:
Claridade do Sol, nunca turbada,
Sanctissima, et perfeita criatura,
Ante quem de mi fujo, et me aborreço,
Ey medo a quanto fiz, sey que mereço,
Dos meus erros me espanto,
Que me aprouveram tanto
Agora à só lembrança desfalleço.
Mas lembrame porem, que vòs fizestes
Paz entre Deos, et nós,
E a quem por vós chamou sempre a maõ destes.
[74]
O Ceo, que Eva perdera,
Ouem no lo abria, ficou fora de briga;
Foy he oje entregue a chave,
Foy o nome mudado _d’Eva_ em _Ave_.
[75] The following passage will afford a specimen of the style of this
elegy:--
Cordeiro ante o throno alto de Cordeiro,
Lavado irás no teu sangue sem magoa,
O quem como era pay, fora parceiro!
Diz Paulo (da Fé nosso ardente fragoa)
Que para o filho o pay faça thesouro,
Parece natural hum correr d’agoa.
Nam assi aqui perto abaixa o Douro
Ao contrario, no mar se lança escuro,
Mondego, et Tejo das areas d’ouro,
Quanto mais certo contra o imigo duro
Podes, que outrem dizer, vim, vi, venci,
Cerrando, et abrindo a maõ, posto em seguro.
Nam se vejam mais lagrimas aqui
Salvo se por nós forem, que em taes trevas
Em tam cega prisam deixaste assi.
Vayte embora, que ja nam tens que devas
Temer, lá tudo he paz, tudo assossego,
A quem leva o seguro, que tu levas.
[76] See the History of Italian Literature, vol. ii. p. 171.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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