History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
History
History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
[118] This elegy, which is here transcribed at length, is calculated to
banish every doubt respecting Ferreira’s poetic genius:--
Vem Mayo de mil hervas, de mil flores
As frontes coroado, e riso, e canto,
Com Venus, com Cupido, cos Amores,
Vença o prazer á dor, o riso ao pranto
Vase longe daqui cuidado duro,
Em quanto o lédo mez de Venus canto.
Eis mais alva a menham, mais claro, e puro
Do Sol o rayo: eis correm mais fermosas
Nuvens afugentando o ar grosso e escuro.
Sae a branda Diana entre as lumiosas
Estrellas tal, qual já ao pastor fermoso
Veo pagar mil horas saudosas.
Mar brando, sereno ar, campo cheiroso,
Foge a Tristeza, o Prazer folto voa,
O dia mais dourado, e vagaroso.
Tecendo as Graças vaõ nova coroa
De Myrtho á mãy, ao filho mil Spritos.
O fogo resplandece, a aljaba soa.
Mil versos, e mil vozes, e mil gritos
Todos de doce amor, e de brandura,
Huns s’ouvem, huns nos troncos ficam escritos.
Ali soberba vem a Fermosura,
Apôs ella a Affeiçaõ cega, e cativa.
Quanto huma mais chorosa, outra mais dura.
Ah manda Amor assi: assi quer que viva
Contente a triste, do que seu Deos manda,
De seja inda mais dor, pena mais viva.
Mas quanto o moço encruece, a mãy abranda,
Ella a peçonha, e o fogo lhe tempéra:
Assi senhora de mil almas anda.
Ali o Engano em seu mal cego espera
Hum’ hora doce: ali o Encolhimento
Sem causa de si mesmo desespera.
Aos olhos vem atádo a Pensamento,
Naõ voa a mais qu’ao qu’ali tem presente,
E em tanto mal, tudo he contentamento.
E riso, em festa corre a léda gente,
Tras o fermoso fogo, em que sempr’arde,
Cada hum, quanto mais arde, mais contente.
Manda Venus ao Sol menham, e tarde
Que seus crespos cabellos loure, e estenda,
Qu’em vir s’apresse, qu’em se tornar tarde.
Ao brando Norte, que assopre, e defenda
Do ardor da sesta a branda companhia,
Em quanto alçam de Myrtho fresca tenda,
Corre por toda parte clara, e fria
Agoa: cae doce sombra do alto Louro,
Canta toda ave canto d’alegria.
Ella a neve descobre, e solta o ouro:
Banham-na as Graças na mais clara fonte;
Aparece d’Amor rico thesouro.
Caem mil flores da dourada fronte,
Arde d’Amor o bosque, arda a altra serra,
Aos olhos reverdece o campo, e o monte.
Despende Amor seus tiros, nenhum erra,
Mil de baixo metal, algum do fino,
Fica de seus despojos chea a terra.
Vencida d’huma molher, e d’hum minino.
[119] The didactic epistolary character appears in the following
passage, from the elegy on _Luis Fernandez de Vasconcellos_, which is,
in other respects, exceedingly beautiful:--
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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