History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Naõ frias sombras, naõ os brandos leitos
Altos spritos provam: que ociosos
Se gastam, e como em cinza estaõ desfeitos.
Melhor comprados foram, mais custosos
Aquelles nomes altos, que inda soam,
Dos que virtude, e esforço fez famosos.
Inda entre nós de boca em boca voam
De tanto tempo já os spritos puros:
Inda de verdes folhas se coroam.
Por duras armas, por trabalhos duros
Varios costumes, varias gentes vendo
Tornáram inda erguer fermosos muros.
Hora a furia do bravo mar rompendo,
Hora os lançava a sorte á praya imiga
Quanto móres perigos, mais vencendo.
[120] See History of Spanish Literature, page 392.
[121]
O nosso bom _Joam_ tambem guiado
De seu sprito, viva em ti seguro,
E nos mais, de quem he bem conselhado.
Abrasan-se castellos, cae o muro
Cansam forças, e braços, e ardidezas.
No bom conselho só está o bom seguro.
Do saber saõ as boas fortalezas.
Escolhan-se bons zelos, bons spritos,
Mais no Mundo soarám nossas grandezas.
Aquelles claros feitos, altos ditos,
De que os livros saõ cheos, desprezemos.
Mores feitos ha cá, naõ taõ bem escritos.
_Vençamos no melhor, o outro imitemos._
_Livr. I. Cart. 2._
[122]
Cuida melhor que quanto mais honraste,
E em mais tiveste essa lingua estrangeira,
Tanto a esta tua ingrato te mostraste.
Volve, pois volve, Andrade, da carreira,
Que errada levas (com tua paz o digo).
Alcançarás tua gloria verdadeira.
Te quando contra nós, contra ti imigo
Te mostrarás? obrigue-te a razaõ,
Que eu, como posso, a tua sombra sigo.
As mesmas Musas mal te julgaraõ,
Serás em odio a nós teus naturais,
Pois, cruel, nos roubas o que em ti nos daõ.
_Livr. I. Cart. 3._
[123] For example:--
O bem sempre por mal, o mal por bem,
Por virtude o mor vicio, e por prudencia
O que menos o he, seguem, e crem.
Ao vaõ prodigo dam magnificencia,
Chamam o deshonesto, homem de damas,
E louvam, e ham iveja a incontinencia.
Aquelle, que tu bom, e prudente chamas,
Que lança suas contas bem lançadas,
E seu pouco falar, bom e raro amas,
Frio, e malecioso; e o de danadas
Entranhas, que c’um riso prazenteiro
Encobre suas peçonhas simuladas,
He só prudente, e canto: falso arteiro
O que conhece bem, e sabe facer
Differença do amigo ao lisongeiro.
_Livr. I. Carta 5._
[124] As in the following lines:--
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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