History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Estavas, linda Ignez, posta em socego,
De teus annos colhendo doce fruto,
Naquelle engano da alma, lédo, e cego,
Que a fortuna naõ deixa durar muto;
Nos saudos campos do Mondego,
De teus formosos olhos nunca enxuto,
Aos montos ensinando, e ás hervinhas,
O nome que no peito escripto tinhas.
Do teu Principe alli te respondiam
As lembranças que na alma lhe moravam;
Que sempre ante seus olhos te traziam,
Quando dos teus formosos se apartavam;
De noite em doces sonhos que mentiam,
De dia em pensamentos que voavam;
E quanto em fim cuidava, e quanto via,
Eram tudo memorias de alegria.
Among the succeeding stanzas it is difficult to make an election;
and as the specimens introduced in this work are intended to form a
collection for literary study, it is still more difficult to resist
the temptation of transcribing the whole episode. At all events the
following six stanzas must find a place:--
Traziam-na os horrificos algozes
Ante o Rei, já movido a piedade,
Mas o povo com falsas e ferozes
Razões à morte crua o persuade.
Ella com tristes e piedosas vozes,
Sahidas só da mágoa, e saudade
Do seu principe, e filhos, que deixava,
Que mais que a propria morte a magoava:
Para o Ceo crystallino alevantando
Com lagrimas os olhos piedosos;
Os olhos, porque as maõs lhe estava atando
Hum dos duros ministros rigorosos:
E despois nos meninos attentando,
Que taõ queridos tinha, e taõ mimosos,
Cuja orphandade como mãi temia,
Para o avô cruel assi dizia:
Se já nas brutas feras, cuja mente
Natura fez cruel de nascimento,
E nas aves agrestes, que sómente
Nas rapinas aerias tem o intento,
Com pequenas crianças vio a gente,
Terem taõ piedoso sentimento,
Como co’a mãi de Nino já mostráram,
E co’os irmaõs que Roma edificáram:
O’tu, que tens de humano gesto, e o peito,
(Se de humano he matar huma donzella
Fraca, e sem força, só por ter sujeito
O coraçaõ a quem soube vencella)
A estas criancinhas tem respeito,
Pois o naõ tens à morte escura della:
Mova-te a piedade sua, e minha,
Pois te naõ move a culpa que naõ tinha.
E se vencendo a Maura resistencia
A morte sabes dar com fogo, e ferro;
Sabe tambem dar vida com clemencia
A quem para perdê-la naõ fez erro.
Mas se to assi merece esta innocencia,
Poem-me em perpétuo e misero desterro,
Na Scythia fria, ou lá na Libya ardente,
Onde em lagrimas viva eternamente.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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