History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Qual co’os gritos e voces incitado,
Pela montanha o rabido moloso,
Contra o touro remette, que fiado
Na força está do corno temeroso.
Ora pega na orelha, ora no lado,
Latindo mais ligeiro que forçoso.
Até que em fim rompendo lhe a garganta,
Do bravo a força horrenda se quebranta:
Tal do Rei novo o estomago accendido,
Por Deos, e pelo povo juntamente,
O barbaro comette apercebido,
Co’o animoso exército rompente.
Levantam nisto os perros o alarido
Dos gritos; tocam arma, ferve a gente:
As lanças e arcos tomam; tubas sôam;
Instrumentos de guerra tudo astrôam.
Bem como quando a flamma, que ateada
Foi nos áridos campos (assoprando
O sibilante Boreas) animada
Co’o vento o secco mato vai queimando.
A pastoral companha, que deitada
Co’o doce somno estava, despertando
Ao estridor do fogo, que se atêa,
Recolhe o fato, e foge para a aldêa:
Desta arte o Mouro attonito e torvado,
Toma sem tento as armas mui depressa;
Naõ foge, mas espera confiado,
E o ginete belligero arremessa.
O Portuguez o encontra denodado,
Pelos peitos as lanças lhe atravessa:
Huns cahem meios mortos, e outros vaõ
A ajuda convocando de Alcoraõ.
_Canto III._ 47.
[151] This description commences as follows:--
Entrava a formosissima Maria
Pelos paternaes paços sublimados;
Lindo o gesto, mas fóra de alegria,
E seus olhos em lagrimas banhados:
Os cabellos angelicos trazia
Pelos eburneos hombros espalhados:
Diante do pai lédo, que a agasalha,
Estas palavras taes chorando espalha.
Quantos povos a terra próduizio
De Africa toda, gente fera, e estranha,
O graõ Rei de Marrocos conduzio,
Para vir possuir a nobre Hespanha.
Poder tamanho junto naõ se vio,
Despois que o falso mar a terra banha.
Trazem ferocidade, e furor tanto,
Que a vivos medo, e a mortos faz espanto.
Aquelle que me déste por marido,
Por defender sua terra amedrontada,
Co’o pequeno poder offerecido
Ao duro golpe está da Maura espada,
E se naõ for comtigo soccorrido,
Vêr-me-has delle, e do Reino ser privada:
Viuva, e triste, e posta em vida escura,
Sem marido, sem Reino, e sem ventura.
_Cant. III._ 102. _etc._
[152] The first stanzas on the introduction of Inez or Ignez (for the
Portuguese orthography adopts the latter form of the name) are not to
be surpassed.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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