History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Hum naõ sei que suave respirando
Causava hum desusado, e novo espanto,
Que as cousas insensiveis o sentiam:
Porque as garrulas aves entretanto
Vozes desordenadas levantando
Como eu em meu desejo, se encendiam.
As fontes crystillinas naõ corriam,
Inflammadas na vista clara, e pura:
Florecia a verdura,
Que andando, co’os ditosos pès tocava:
As ramas se baixavam,
Ou de inveja das hervas que pizavam,
Ou porque tudo ante elles se baixava.
O ar, o vento, o dia,
De espiritos continuos influia.
[171] The following is a specimen of a lyric description of morning in
a lover’s taste:--
Já a roxa manhãa clara
As portas do Oriente vinha abrindo,
Dos montes descobrindo
A negra escuridaõ da luz avara.
O Sol, que nunca pára,
Da sua alegre vista saudoso,
Traz ella presuroso
Nos cavallos cansados do trabalho,
Que respiram nas hervas fresco orvalho,
Se estende claro, alegre, e luminoso.
Os passaros voando,
De raminho em raminho vaõ saltando;
E com suave, e doce melodia
O claro dia estaõ manifestando.
A manhãa bella, amena,
Seu rosto descobrindo, a espessura
Se cobre de verdura
Clara, suave, angelica, serena.
Oh deleitosa pena!
Oh effeito de amor alto, e potente!
Pois permitte, e consente,
Que ou donde quer que eu ande, ou donde esteja,
O seraphico gesto sempre veja,
Por quem de viver triste sou contentes,
Mas tu, Aurora pura,
De tanto bem dá graças à ventura,
Pois as foi pôr em ti taõ excellentes,
Que representes tanta formosura.
[172]
Detém hum pouco, Musa, o largo pranto
Que amor te abre do peito;
E vestida de rico, e lédo manto,
Demos honra, e respeito,
A’quella, cujo objeito
Todo o Mundo allumía,
Trocando a noite escura em claro dia.
O’Delia, que a pezar da nevoa grossa,
Co’os teus raios de prata,
A noite escura fazes que naõ possa
Encontrar o que trata,
Eo que na alma retrata
Amor por teu divino
Raio, porque endoudeço, e desatino.
Tu, que de formosissimas estrellas
Coròas, e rodêas
Tua candida fronte, e faces bellas;
E os campos formosêas
Co’as rosas que semêas,
Co’as boninas que gera
O teu celeste humor na Primavera.
[173]
Secreta noite, amiga, a que obedeço,
Estas rosas (por quanto
Meus queixumes me ouviste) te offereço,
E este fresco amaranto,
Humido inde do pranto
E lagrimas da esposa
Do cioso Titam, branca e formosa.
[174] The first of these elegies commences very much like versified
prose, and in a manner which would scarcely induce the reader to
suppose he was perusing even the opening of an epistle. The spirit of
the composition does not begin to manifest itself until the sixteenth
line:--
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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