History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Sae o Sol desejado,
Dà aos campos a cor, o ser ao dia,
O pasto ao manso gado.
Correndo vem traz elle a noyte fria,
Onde jà sua luz naõ resplandece,
E alli quando amanhece
Nos deyxe conhecer,
Que para aparecer desaparece.
Hum dia vay fugindo,
E o que corre traz elle nos alcança,
E todos se vaõ rindo
De meu engano vaõ, minha esperança,
Que por mais que a ventura me desvia,
Vivo nesta porfia,
Segundo meus enganos,
Esperando em mil annos hum só dia.
[223] They must be transcribed here at length, for fragments would not
afford an idea of their spirit. It would be difficult to find any more
tender sports of fancy of this kind.
_Reposta de Ardenio à pergunta primeyra._
Quem ama sem esperança,
Se ama mais perfeytamente?
Ninguem ama sem querer,
Ninguem quer sem esperar,
O que ama, espera, et quer,
Poderà nunca alcançar,
Mas sempre ha de pertender.
Se a era lhe falta à planta,
Em cujo tronco se arrime,
Nem cresce, nem se alevanta,
Que em fim naõ tem força tanta,
Que se levante, et sublime.
E se a amor lhe faltàra
Esperança, que o sustente,
Na raiz propria se cura,
E inda naõ sey se brotàra,
Ou se afogára a semente.
De sorte que em qualquer peyto,
Sem esperança ou favor
De seu desejado objecto,
Naõ só falta Amor perfeyto,
Mas falta de todo Amor.
_Reposta da pastora Dinarea à mesma pergunta._
Amor, que a proprio respeyto
Todo o dezejo offerece
Só por seu gosto, ou proveyto,
Naõ se chame amor perfeyto,
Antes perfeyto interesse.
Amor he somente amar,
Este he seu meyo, et seu fim,
E o que pretende alcançar,
Nem se ha de lembrar de sim,
Nem do que pode esperar.
O que he verdadeyro amante
Naõ se funda na esperança,
Só seu querer poem diante,
E se por ventura alcança,
Sem ventura he mais constante.
Quando n’alma huma bellesa
Mostra seu rayo invencivel,
E amor seu preço, et grandeza,
Naõ faz differente empreza
Entre facil, et impossivel.
E he ja cousa averiguada,
Que somente este rigor
Merece ante a cousa amada,
E o que quizer mais de amor,
Nem quer, nem mereceo nada.
[224] To these three competition songs a page or two must be devoted.
Fanciful compositions of this kind, though now out of date, are
curious; and ingenious simplicity in so elegant a form is seldom to be
met with even in romantic literature.
_Reposta de Riseo à tercera pergunta»_
Que parentesco chegado
Tem amor com o ciume.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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