History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Vós que o mundo regeis, Padres conscriptos,
(O que eu vos naõ invéjo) e que prudentes
De promessas encheis aos pretendentes,
E de esperanças vans aos Réos afflictos:
Vós que lêdes processos infinitos;
Que soffreis cavilózos requerentes;
Cartas, memoriaes impertinentes;
E por fim castigaes poucos delictos;
Vós ficai-vos em paz; porque occupados
Naõ deveis ser com clausulas escriptas
De quem sem pleitos vive, e sem cuidados.
Basta-me só que ás vezes nas vizîtas.
As vêjaõ Petimetres namorados,
As ouçaõ sem desprêzo as Senhorîtas.
[390] For example, the following:--
Ou fosse, Nize, em nós pouca cautella,
Ou que alguem presentisse o nosso enleyo,
Tudo se sábe já: tudo hé já cheio,
Qu’ algum cuidado ha muito nos disvella.
Dizem, qu’eu son feliz, que tu es bella;
E ás vêzes com satirico rodeio,
Hum murmûra, outra zomba, e sem receio
A fama cada qual nos atropella.
Mas se nunca se tapa a boca á gente,
E se amôr sempre activo nos devóra,
Porque aquella he mordaz, porque este ardente;
Adorêmo-nos pois como até agora:
Siga-se amôr; arraste-se a corrente;
E se o mundo fallar, que falle embóra.
[391] _Osmîa, tragedia de assumpto Portuguez, em cinco actos, coroada
pela Academia Real das Sciencias de Lisboa, em 13 de Mayo de 1788.
Segundo ediçaõ, Lisboa, 1795, in 4to._
[392] A fragment from the scene in which Osmia first betrays a
reciprocal love for the Prætor, will afford a specimen, though an
imperfect one, of the merit of this tragedy.
_Osmîa._ Pretor, senaõ alcanço
Saber o que pertendo, mais naõ tenho
Que saber, ou que ouvir. A Eledia torno,
Que naõ longe deixei, ou tu m’a envia,
E á minha dor me deixa em tanto entregue.
_Lelio._ Se te agrada aggravar o duro aspecto
Da tua situaçaõ, fallemos della:
Naõ falta que dizer, e verás como
Sei prestar-me a teus votos, bem que sejaõ
Contrarios a meus proprios sentimentos.
_Osmîa._ Ah! cruel! como vejo em teu semblante
Reluzir a fereza que disfarças
D’uma falsa piedade na apparencia.
_Lelio._ Chamas falsa piedade a hum sentimento,
Que todo me transporta?
_Osmîa._ Que linguagem!
_Lelio._ E quanto soffro, Osmîa, sob o pezo
Do rigido silencio que m’imponho!
_Osmîa._ Mais naõ soffras, Pretor, vai explicar-te
Onde possas melhor ser percebido.
E que, naõ partes?
_Lelio._ Parto sim, Princeza!..
E que naõ farei eu por contentar-te?
Mas vê que o meu silencio.. a tua virtude..
Ah! que eu me precipito!
_Osmîa, só._
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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