History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Escolhi para meu contentamento (se entre tristezas et saudades ha
algum) virme viver a este monte, onde o lugar et mingoa da conversação
da gente te fosse, como para meu cuidado cumpria: porque grande erro
fora depois de tantos nojos, quantos eu com estes meus olhos, vi
aventurarme ainda esperar do mundo o descanço, que elle nunca dè a
ninguem. Estando eu aqui ló, taõ longe dè toda a outra gente, et de mim
ainda mais longe; donde nam vejo senaõ serras de hum cabo, que se naõ
mudaõ nunca, et do outro aguas do mar, que nunca estam quedas, onde
cuidava eu jà que esquecia a desaventura, porque ella, et depois eu a
todo poder que ambas pudemos naõ leixamos em mi nada em que pudesse
nova magoa ter lugar; &c.
[42] The following is the passage:--
Nam tardou muito que estando eu assi cuidando, sobre hum verde ramo
que por sima da agua se estendia, se veyo pousar hum Rousinol, começou
a cantar tam docemente que de todo me levou a pos si o meu sentido
d’ouvir; et elle cada vez crecia mais em seus queixumes, que parecia
que como cansada queria acabar, senaõ quando tornava como que começava.
Entam (triste da avezinha) que estandose assi queixando nam sey como
se cahio morte sobre aquella agua, cahindo por entre as ramas, muitas
folhas cahiram tambem com ella; pareceo aquello sinal de pezar naquelle
arvoredo de caso tam desestrado. Levava a pos si a agua, et as folhas a
pos ella, et quizeraa eu hir tomar: mas polla corrente que alli fazia,
et pelo mato que dali para baxo acerca do rio logo estava, prestasmente
se alongou da vista; o coraçaõ me doco tanto entaõ em ver taõ asinha
morto quem dantes taõ pouco havia que vira estar cantando, que naõ pude
ter as lagrimas.
[43] This passage may be regarded as a specimen of romantic didactic
prose:--
Coitadas das mulheres que porque vem que as namoram os homens com obras
cuidam que assi se devem elles tambem de namorar: et he muito pelo
contrario, que aos homens namoramnos desdeis et presunçoens, apos huma
brandura de olhos, asperesa muita de obras. Isto de seu natural lhes
deve vir, porque sam rijos, que parece nam terem em muito senam o que
trabalham muito. Nos outras boandas de nosso nacimento fazemos outra
cousa: porem se elles com nosco entrassem a juizo, que razam mostrariam
per si? Ca o amor que he senam vontade? Ella nam se dà, nem se toma por
força, mas como quer que seja, ou pela desventura das mulheres, ou pela
ventura dos homens.
[44] The publisher of the new edition of the _Menina e Moça_ (see note
p. 33.) expressly states in his preface, that by recalling public
attention to that work, he proposes to refute the censures which have
been pronounced on the Portuguese language.
[45] _Egloga de Christovam Falcam, chamado Crisfal_, annexed to the old
edition of the _Menina e Moça_. See note page 33.
[46]
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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