History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Canta o caminhante lédo,
No caminho trabalhoso,
Por entre o espesso arvoredo,
E de noite o temeroso
Cantando refrê a o medo.
Canta o preso docemente,
Os duros grilhões tocando;
Canta o segador contente;
E o trabalhador cantando,
O trabalho menos sente.
Eu que estas cousas senti
N’alma, de mágoas taõ chêa,
Como dirá, respondi,
Quem alheo está de si,
Doce canto em terra alhêa?
Como poderá cantar
Quem em choro banha o peito?
Porque, se quem trabalhar,
Canta por menos cansar,
Eu só descansos engeito.
Que naõ parece razaõ
Nem seria cousa idonia,
Por abrandar a paixaõ,
Que cantasse em Babylonia
As cantigas de Siaõ,
Que quando a muita graveza,
De saudade quebrante
Esta vital fortaleza,
Antes morra de tristeza,
Que por abrandá-la cante.
[177] See page 30.
[178] For example:--
Verdes saõ os campos,
De côr e limaõ:
Assi saõ os olhos
De meu coraçaõ.
Campo, que te estendes
Com verdura bella;
Ovelhas, que nella
Vosso pasto tendes;
De hervas vos mantendes,
Que traz o Veraõ,
E eu das lembranças
Do meu coraçaõ,
Gados, que passeis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Naõ o entendeis.
Isso que comeis,
Naõ saõ hervas, naõ
Saõ graça dos olhos
Do meu coraçaõ.
[179] For example:--
Na fonte está Leonor,
Lavanda a talha, e chorando,
Ás amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
Posto o pensamento nelle,
Porque a tudo o amor a obriga,
Cantava, mas a cantiga
Eram sospiros por elle.
Nisto estava Leonor
O seu desejo enganando,
Ás amigas perguntando:
Vistes lá o meu amor?
O rosto sobre huma maõ,
Os olhos no chaõ pregados,
Que do chorar já cansados,
Algum descanso lhe daõ,
Desta sorte Leonor
Suspende de quando em quando
Sua dor; e em si tornando,
Mais pezada sente a dor.
Naõ deita dos olhos agoa,
Que naõ quer que a dor se abrande
Amor, porque em mágoa grande
Sécca as lagrimas a mágoa
Que despois de seu amor
Soube novas perguntando,
D’ improviso a vi chorando
Olhai que extremos de dor!
[180] That a short specimen of Camoens’s dramatic style may not be
wanting in this collection of examples, a passage is here subjoined
from a scene which is intended to be jocular. Duriano is a spruce
country lover, and Solina is his town-bred mistress.
_Dur._ O que vos quero m’ engana,
Mas o que desejo naõ.
Naõ ha aqui senaõ paredes,
As quaes naõ fallam, nem vem.
_Solin._ Está isso muito bem.
Bem e vós, Senhor, naõ vedes,
Que poderá vir alguem,
_Dur._ Que vos custam dous abraços?
_Solin._ Naõ quero tantos despejos.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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