History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)Bouterwek, Friedrich
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History of Spanish and Portuguese Literature (Vol 2 of 2)
Bouterwek, Friedrich
Portuguese literature -- History and criticism; Spanish literature -- History and criticism
Antonio, quando vejo o ingenho raro,
O puro esprito que nos vás mostrando,
O estilo facil, alto, limpo e claro,
Vejo que vás em tudo renovando
Aquella antiguidade, que inda agora
Com grande nome, e fama está espantando.
Vejo em ti sempre maravilhas, hora
Cantes da viva, da amorosa chamma
Que um’ Alma faz captiva, outra senhora;
Ou nos mostres do que baixamente ama
Amores em baixezas só fundados,
Destruidores máos da limpa fama;
Hora sejam teus versos entoados
O’ som da doce frauta, a cujo som
Forom os do gram Titiro cantados.
_Epist. IX._
[188] To such critics he very properly says:--
O espirito que nom voa, nem atina
O bem, ou mal do que se canta, e escreve,
Quando bem, ou mal julga desatina.
Se dá razaõ, mais fria a dá que neve,
Sem fundamento louva, e assi reprova,
Qu’ em juizo appressado á razaõ leve.
A reprensaõ no mundo nom é nova,
Mas quem melhor entende, mais d’espaço
O máo reprende, ou o melhor approva.
Tem as lingoas agudas mais que d’aço
Estes que querem ser graves censores,
Se lhes armas, caem logo em qualquer laço.
Juízos vaõs, indontos reprensores,
Nom sofrem as Musas ser assi tratadas,
Nem recebem de vós inda louvores.
_Epist. XVII._
[189] The following is the commencement of an elegy on Winter, which
was probably intended as a companion to Ferreira’s elegy on May:--
Apos o Veram brando, o Inverno duro
Começa triste, e cheo de asperezas,
Importuno, pezado, frio, e escuro.
Entra o tempo com furias, e bravezas
Na terra, n’agoa, no ar faz movimentos
Que ameaçaõ mil danos, e tristezas.
Revolvem tudo os furiosos ventos,
E parece que tem aspera guerra
Uns com outros os grandes elementos.
Mais pezada se torna, e grave a terra
E tudo quanto de antes produzia
Nega, e dentro em si mesma esconde, e encerra.
O que hora ós olhos mostra, o que hora cria,
Tojos, espinhos, cardos, o seccura,
Tudo alheo de graça, e d’alegria.
Cessou aquella varia fermosura
De differentes rosas, varias flores
De que se ornaõ as plantas, e a verdura.
Das fontes nom taõ claros as liquores
Correm, como corriaõ; turvo é tudo;
Tem as aves silencio em seus amores.
[190] The following epitaph on Queen Maria is none of the most
insignificant.
Filha de Reys, e may, e irmã; e tia,
Avó de Reys, e de tudo isto dina,
De qual outra outro tanto se diria
Como dest’ alta Rainha já divina?
Mulher de _Manoel_, grande _Maria_,
Por quem todo alto esprito inda s’ensina.
E pode com tudo isto a ley da Morte
Darlhe esta estreita sepultura em sorte.
Public-domain text, read in full here on John Shaqi.
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